0
2 In Artigos

A Mulher Selvagem: O resgate da Deusa em você

Vida pagã, paganismo, wicca, ser bruxa

Em muitas culturas antigas a mulher era venerada por seus atributos e seu dom da vida, porém, foi somente após uma mudança considerável na cultura das sociedades antigas que a ideia da mulher soberana (que alguns definem como Mulher Selvagem) foi substituída por uma visão deturpada na organização social.

Ainda que algumas mulheres vivam bem e tenham bem trabalhado internamente esse arquétipo arcaico, outras acabam sentindo-se como se tivessem o espírito mutilado. É como se na ancestralidade reconhecessem um espírito guerreiro, corajoso, soberano de si, mas que, dentro de sua complexidade da vida atual, tenham adaptado esse espírito a culturas que não o compreendem e até o limitam.

De antemão já esclareço que não pretendo com esse texto criar uma disputa entre sexos. Acredito que é exatamente as diferenças entre eles que fazem com que eles sejam complementares, criando um equilíbrio na Natureza. No entanto, hoje quero trazer uma proposta de reflexão: o resgate dessa figura divina da mulher, a Mulher Selvagem. Afinal, muitas mulheres ainda carecem da percepção dessa figura.

 

Mas o que é ser uma Mulher Selvagem?

Ser uma Mulher Selvagem é conhecer os domínios ocultos dos poderes femininos, tão esquecidos e muitas vezes negados por nossa sociedade, porém, que tanto nos ensinam sobre nós mesmas.

É saber lidar consigo mesma, suas escolhas de vida, sua jornada rumo à satisfação pessoal. É saber liderar sua vida.

É esquecer do modelo social de mulher a ser seguido. É falar, agir, se expor, se expressar e se portar quando e da maneira que você quiser.

É romper com os tabus acerca da maternidade, tendo em vista que isso é uma escolha e não uma obrigação a ser cumprida.

É ser mãe, mas também não ficando a mercê de que a própria sociedade determine obrigações acerca da maternidade.

É também ser sedutora, ser sexy e não ter vergonha de, antes de ser mãe, ser mulher e, portanto, plenamente dotada de sua sexualidade e expressão sexual.

É saber dar a vida, mas também lidar com a morte, com a perda e, principalmente, com as diversas guerras que, assim como qualquer pessoa, temos de travar externamente e interiormente contra nossos maiores medos.

É assumir suas escolhas a cerca da forma de se relacionar afetivamente. Porque sim, ainda há uma cultura que corrobora a ideia de casamento como uma espécie de salvação para a figura feminina, e que, consequentemente, vê na separação uma derrota.

 

Relacionamento como modelo de salvação para quem? E por quê?

Vejo hoje tantas mulheres a espera de que alguém as salvem. Salvar de quê? Da vida?! Por que acreditam não serem capazes de levar tudo sozinha? Vejo mulheres que tiveram suas vidas praticamente findadas frente a realidade de um término de um casamento.

Ora, quantas Deusas maravilhosas e inspiradoras foram retratadas sem um consorte? Morrighan é um dos exemplos que mais gosto. Embora tenhamos lendas que relatam seu pacto sexual com Dagda, eles não eram um casal.

Não queira, portanto, que alguém venha te ajudar a carregar o peso de sua vida. É preciso antes compreender que sua vida não é um peso, não é um fardo a ser carregado ou dividido!

Não se porte como vítima, pobre coitada, que foi abandonada e tomou um golpe do destino por seu companheiro. Não se coloque na postura desconfortável e vergonhosa de aguardar por alguém que venha mudar a realidade de sua vida. Seja soberana de seu destino.

Seja SELVAGEM! Seja também soberana caso seu caminho de separação tenha sido uma escolha sua. E não importa se essa escolha não atende aos modelos obsoletos que a sociedade ainda nos propõe indiretamente.

Não venham nos dizer o que podemos ou não fazer, não nos tratem como um cavalo a ser domado, posto que admiramos, e muito, a liberdade que governa nossos espíritos!

Em resumo, ser uma Mulher selvagem é reunir em você, mulher, a maestria de ser tudo isso em só um ser e ainda sim não se deixar corromper por valores sociais em que não estão pautados a sua felicidade.

Sejam corajosas, afinal, ter coragem não significa não ter medo quando a vida revela seus obstáculos, significa ter medo e ainda sim enfrentá-los! Vão te julgar, querida, sempre. E isso não importa qual escolha de vida você tenha.

Há uma voz forte de mulher ancestral no meu peito. Essa voz grita e me diz para não ter medo, para continuar pois o triunfo é meu e é maravilhoso tê-lo e ter a mim mesma.

Seja livre para escolher se revelar o que você é.

You Might Also Like

2 Comentários

  • Reply
    Celina Contreiras
    16 de outubro de 2017 at 18:44

    Gostei mto

    • Reply
      Jess
      17 de outubro de 2017 at 08:04

      Fico feliz que tenha gostado, Celina! Seja bem vinda!

    Dê sua opinião!