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Vozes do Druidismo no Brasil: Como foi o IX Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta

Vozes do Druidismo no Brasil Como foi o IX Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta

Depois de muita correria pra me organizar na exposição dos produtos da O Sortilégio Store e pro retiro no IX Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta, o EBDRC, nada mais justo do que contar um pouquinho pra vocês do que rolou no evento, e de como foi minha experiência lá.

Confesso de antemão que fui ao evento achando que este seria mais voltado pra parte das palestras e do Mercado Celta, do que a totalidade daquilo que o EBDRC realmente é.

Além de encontrar conteúdos bem embasados sendo apresentados nas palestras, tive o privilégio de presenciar e fazer parte de um momento que se tornou um marco na História do Druidismo no Brasil. E isso não foi tudo!

No IX EBDRC conheci mais do que a pessoa ilustre que é Erynn Rowan Laurie, uma das figuras símbolo do Reconstrucionismo Celta no mundo. Lá eu encontrei uma família. E posso dizer, de todo o meu coração: todo praticante de Druidismo ou de outras formas de prática da fé Celta deveria se proporcionar essa experiência.

Vem que eu vou te contar os motivos…

 

 

 

 

 

 

 

 

Nathair Dorchadas, (Sacerdote-fundador da Ordem Valonom – RS)

 

 

As palestras e festividades

Sem dúvidas as palestras foram maravilhosas… E, sobretudo, úteis! Elas não foram um momento em que a pessoa ouve o conteúdo e aquilo se encerra ali. Você escuta com o bloquinho na mão e já vai tendo idéias de como transferir aqueles ensinamentos pra sua prática diária. É algo enriquecedor! Ali, aprende-se com a experiência e bagagem dos palestrantes. Mas também é onde firmamos nossas próprias práticas ao ver que, muitas das vezes, uma pessoa com a qual você nunca teve contato, pratica algo similar àquilo que você faz.

Tivemos oficinas que abordaram a representação da fé druídica nas artes plásticas e no artesanato. E palestras de todo tipo, como: sagrado masculino; sagrado feminino; magia celta com velas; a jornada do herói e a figura do guerreiro nas sociedades Celtas; Registros históricos, arqueológicos e linguísticos relacionados ao surgimento das culturas Celtas; mitos; lendas; ritos de passagem e bênçãos no Druidismo; magia prática com métodos oraculares; e, claro, criação de sigilos mágicos a partir do Ogham.

De cima para baixo e em sentido da escrita:

  • Llewellyn Mawr (Autor do site “Nawfed Pwer”e organizador-palestrante da Reunião Sazonal Druídica- MS);
  • Kleber Argantobleddos (Segundo secretário do Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico, Artesão em “MacTíre.Artes”, co-fundador da clareira Clann Fiodh na Sidhe, e membro do Ramo de Carvalho – SP);
  • Lucas de Lima (Pesquisador acadêmico sobre assuntos relacionados ao Celtismo, Bardo na OBOD e membro do Bleddovindos – MG);
  • Rowena A. Seneween (Autora do site “Templo de Avalon” e do livro Brumas do tempo, membro do grupo Fidnemed an Síd – SP).

 

Nós também tivemos um dia de Mercado Celta e festa, com jogos e muitos risos ao som da banda “Tailten”.

Tudo regado a muita cerveja e hidromel!  ^^

De cima para baixo e em sentido da escrita:

  • Endovelicon – (Autor do site “O Bosque do Javali”, membro do Ramo de Carvalho – SP)
  • Banda Tailten – (RJ)
  • A loira que vos fala, com os produtos da O Sortilégio Store
  • Máh Búadach (Autora do site “O livro de Buadach” e colunista no site “O Bosque Ancestral”; membro fundadora da Tribo do Caldeirão das Ondas – BA)
  • Marcelo Paschoalin (Autor de A semente da bétula: minha prática Druídica Brigidina, entre outros títulos, membro fundador da Clareira Borda do Campo e membro do Conselho do Clann Bhride – SP)
  • Momento de dança
  • Juju Couto com os produtos de sua loja “Serendipity Emporio Celta”, e Sheila Sabbag Uberti com os produtos de sua loja “Vaire Tecelã de Sonhos” (membros da Caer Saille e Caer Itaobi, respectivamente – SP)

 

Os ritos, vivências e a energia gerada no local

Os ritos criaram uma atmosfera de movimentação de nossas energias e da energia dos Deuses durante todo o evento. Houve a abertura ritual no primeiro dia do evento, e foi nessa energia – para além das brumas – que permanecemos os 4 dias do retiro.

Foram 4 dias de cura, bênçãos de todo tipo e contato com os Deuses, literalmente.

Tivemos, ainda, um momento de vivencia muito bacana, guiada pelo xamã Marcos Reis, do grupo “Floresta de Manannán”. Ele nos levou, ao som de muitos tambores e cânticos, à barca do Deus Manannán, com as bênção curadoras da bebida sagrada ao povos locais (nativos brasileiros), a Jurema.

De cima para baixo e em sentido da escrita:

  • Erynn Rowan Laurie
  • Daniel Paiva (membro do grupo “Floresta de Manannán – SP)
  • Dartagnan Abdias (membro do clã Leanaí an Ghealach Clann, gerencia a página do mesmo grupo, e é colunista no site “Bosque Ancestral” – MG)
  • Marcos  (Xamã, membro do clã Clann Fiodh na Sídhe, coordenador do grupo Floresta de Manannán e autor do site de mesmo nome – SP)
  • Detalhes ritualísticos

 

O contato com a Erynn

Erynn Rowan Laurie, pra quem não sabe, é autora de inúmeros livros que fomentaram o pensamento Reconstrucionista no mundo. A vinda dela ao Brasil foi possível graças ao sonho da organizadora do evento, Luciana Cavalcante, e à contribuição de inúmeras pessoas.

Mas, o que eu acho que ninguém esperava é que a Erynn, além de excelente escritora, também fosse uma pessoa super acessível.

Ela, mesmo dentro de seu imenso saber, é portadora de uma humildade notável. Um ser humano incrível que nos trouxe mais do que conhecimentos sobre Druidismo. Ela nos trouxe ensinamentos de vida, de comunidade, de respeito à diversidade de práticas que há entre nossos irmãos de fé.

Erynn veio pra nos dizer que nenhum indivíduo tem o direito de dizer que você não é um Druida da comunidade para qual você serve, posto que é a própria comunidade que o identifica e legitima como tal, e não somente um indivíduo.

Ela nos lembrou também que há diversas práticas de Druidismo, mesmo dentro do Reconstrucionismo, e que as diferenças devem ser respeitas.

E, dentre outras tantas contribuições, nos fez entender que as ervas daninhas devem ser retiradas para que haja o florescer do Druidismo. Se referindo, claro, a qualquer voz dentro ou fora da comunidade druídica que tente sustentar discursos homofóbicos, transfóbicos, misóginos, racistas, machistas, autoritários ou opressores de qualquer espécie.

Erynn citou a sociedade em que vivemos. O mundo de não pagãos, e quanto somos, por vezes, odiados por aqueles que não compreendem nossa fé. Ela mencionou, docemente, a necessidade união dentro da própria comunidade. E tais ideias me fizeram refletir sobre o quanto isso fortalece a cada indivíduo. E, consequentemente, fortalece toda a comunidade, perpetuando as práticas para aqueles que ainda virão conhecê-la.

Erynn com Luciana Cavalcanti (organizadora do IX EBDRC, Reverenda da Ordem Walonom e autora do site “Bosque Ancestral” – RJ). E, em detalhe, comigo <3

Ela ficou conosco durante todo evento, em praticamente todos os momentos. Pude pessoalmente tirar minhas próprias dúvidas e pedir sugestões. Eu levarei isso pra minha vida.

 

A comunidade druídica no Brasil, hoje

O IX EBDRC foi um marco histórico na religião druídica no Brasil. Isso porque alguns novos rumos foram traçados durante o evento. É fato que o Druidismo, sobretudo na cidade do Rio de Janeiro, vinha sendo sufocado por discursos autoritários. Discursos que ora focavam numa pseudo superioridade sacerdotal de quem os preferia, ora questionavam a legitimidade das práticas de outros grupos e também de praticantes individuais.

Porém, o tempo dessas pessoas chegou ao fim. A comunidade druídica percebeu que não há mais como aceitar que em uma religião – que corresponde a uma minoria religiosa se comparada a outras no mundo – se abrace os gigantescos Egos das pessoas que reduziriam toda a comunidade a pó só para se verem engrandecidos.

As máscaras caem e a face deformada daqueles que difamaram, caluniaram e promoveram, por décadas, a segregação entre as pessoas no meio Celta é revelada. Essas âncoras que o druidismo tem carregado desligam-se oficialmente do Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstucionismo Cé, e, gradativamente, perdem sua representatividade.

Em consonância a isso, as pessoas que ficam se abraçam em suas diferenças, se acolhem e revisitam valores primordiais. E, dali, daquele evento cuja regência é o 9 (IX) – vejam só – a comunidade, ao se deparar com os limites que a esgotam, optam por transpor os mesmos. E renasce.

Participantes abraçam Erynn no Rito de Encerramento do IX Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta.

 

O marco histórico no dia do encerramento

A emoção tomou conta de todos e no rito de encerramento muitos choraram. Outros, como eu, choraram muito!

Um amigo meu sempre diz que quando um capricorniano chora, nasce uma flor, de tão raro que é! Rs. Percebi que nesse dia eu plantei um jardim.

É que dentro do meu coração era o encontro com a certeza de que eu havia encontrado ali uma verdadeira família. E eu precisava externar isso, agradecer por isso. Mas as palavras se amontoavam na boca, disputando pra ver quem sairia primeiro. Foi aí que subiram aos meus olhos em comunhão e transbordaram em muitas lágrimas de gratidão.

De cima para baixo, e em sentido de escrita:

  • Lívia Biancaalana  (Presidenta do Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico, membro do grupo Caer Saille – SP)
  • João Eduardo Schleich Uberti (Segundo tesoureiro do Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico, tradutor oficial da Erynn no evento, membro do grupo Caer Itaobi – SP)
  • Leonni Moura  (Autor do site “Ildiachas Politeísmo Gaélico” e “O Templo de Dagda”, membro da Ordem Walonom – SP)
  • Alan Silva – (Pintor de artes plásticas sagradas na página “Lách Feochadán”, membro iniciado pela Ordem Walonom – RJ)

 

Nesse momento, o Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico reacende a fogueira perante sua comunidade para deliberar sobre a próxima cidade-sede do EBDRC. Os Conselheiros desta gestão, de forma legítima e honrada, ouvem os votos da comunidade presente, bem como trazem os votos dos grupos filiados que não puderam estar presentes no evento.

Ouvindo a comunidade a qual representam, o Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico- pela 1ª vez em mais de uma década de representatividade – abre as portas para que os membro individuais (carinhosamente apelidados de “Povo Livre”), para que estes tenham voz dentro do Conselho, expressando seus pensamentos e voto.

 

Assim, todos votam, decidindo de forma democrática.

Elegendo, dessa forma, a cidade de Salvador como cidade-sede do X EBDRC.

 

Infelizmente, alguns grupos que se abstiveram de voto vieram recentemente acusar o Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico de deliberação própria autoritária. Alguns, inclusive, tentaram difamar a honra dos representantes do Conselho. Como se estes tivessem sido excluídos do processo de votação. Afirmação essa que não condiz com os fatos presenciados por todos que lá estavam.

Tais atitudes nos dizem muito sobre o caráter dessas pessoas que teceram críticas. Pois sabemos que, quando as regras habituais de votação haviam sido quebradas em um momento anterior ao próprio evento, beneficiando essas mesmas pessoas que agora questionam a legitimidade da votação, esses questionadores mantiveram silêncio.

Porém, quando esse erro foi contornado pelo Conselho e a comunidade de forma geral foi ouvida,  automaticamente esses questionadores vieram a público acusar o Conselho de autoritário. Ora, na votação atual, todos tiveram voto, presentes e não-presentes. Esses questionadores só não tiveram voto no sentido da decisão de fazer a votação voltar a um modelo que não ouvia toda a comunidade.

Percebem? Esses difamadores não estão reivindicando que suas vozes e votos sejam ouvidos na comunidade.

 

É de perda de poder que estamos falando. Não é de perda de voz ou voto.

 

O Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico ouviu a todos. Acolheu os excluídos e permitiu uma votação democrática, logo, legítima. Não há o que questionar quanto a isso. Esse é , e deve sempre ser, o papel do Conselho. Servir à comunidade druídica no Brasil de forma coletiva.

Para qualquer atitude que se distancie disso, devemos sempre fazer lembrar da frase do filósofo Karl Popper, a saber:

 

“Se estendermos tolerância ilimitada até mesmo para aqueles que são intolerantes, se não estivermos preparados para defender a sociedade tolerante contra a investida dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância junto destes.”

 

Meus agradecimentos sinceros aos Deuses Patronos e Matronas do evento; a todas as pessoas envolvidas na organização – sobretudo à Luciana Cavalcanti, pelo trabalho lindo que fez e por todo tempo altruisticamente doado para que todos nós pudéssemos ter e vivenciar essa experiência da forma maravilhosa como foi.

Meu sincero agradecimento também ao Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Céltico, por terem dado novos rumos ao Druidismo, acolhendo a voz de sua comunidade frente as mudanças que eram necessárias e sendo, de fato, reais representantes desta comunidade.

Deixo meu carinho especial a cada pessoa que esteve presente. A lista é vasta e não dá pra citar todos. Mas quero dizer: obrigada.

 

Obrigada por me receberem com tanta generosidade:

de sorrisos sinceros, de olhares fraternos e de almas nuas

 

 

Que venha o X EBDRC! Com muito acarajé, por favor! Porque eu tenho fome de estar novamente com essa gente.

 

A convocação a você, praticante

E, pra finalizar, deixo aqui meu convite para que TODO PRATICANTE DE DRUIDISMO, seja você um praticante individual ou que faça parte de grupo, sob quaisquer vertentes celto-druídicas, AFILIE-SE ao CONSELHO BRASILEIRO DE DRUIDISMO.

O Conselho brasileiro de Druidismo é a voz dos praticantes individuais e dos grupos druidicos no país. É nele que vemos a história do Druidismo no Brasil ser registrada, e também podemos ajudar a escrevê-la. É através do Conselho que exercemos um conceito tão antigo, senão ainda mais, que a própria religião em si. A idéia de comunidade, de tribo, de muitas vozes entoando a mesma melodia druídica.

 

Fotos: Cris Boldrini – http://crisboldrinifotografia.blogspot.com/

 

VENHA SE UNIR A NÓS!

Filie-se ao Conselho Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta

cbdrcdiretoria@gmail.com

 

 

Quer saber mais sobre Druidismo? Acesse os links abaixo:

Bosque ancestral – https://bosqueancestral.wordpress.com/

Casa de Áine – https://www.casadeaine.com/

(e pelo canal: https://www.youtube.com/channel/UCmr8b0z-II5Fwpd-FcN2K-Q/)

Circulo do Salgueiro – https://www.circulodosalgueiro.com

Floresta de Manannán Xamanismo Celta – https://xamanismocelta.com.br/marcos-reis/

Ildiachas Politeísmo Gaélico – http://tirtairnge.blogspot.com/

Leanaí an Ghealach Clann – http://lagjf.blogspot.com/

Me conta mais uma (maternidade pagã) – https://www.facebook.com/mecontamaisuma/

Nawfed Pwer – http://www.nawfedpwer.com/site/

Nemeton Ataecina – http://nemetonataecina.blogspot.com/

Nemeton Beleni – https://nemetonbeleni.wordpress.com/

O Bosque do Javali – http://obosquedojavali.blogspot.com/

O Chamado de Morrigan – http://www.chamadodemorrigan.com/

(e pelo canal: https://www.youtube.com/chamadodemorrigan )

O Livro de Buadach – https://olivrodebuadach.wordpress.com/

O Templo de Dagda – https://otemplodedagda.wordpress.com/

(e pelo grupo: https://www.facebook.com/groups/1466241086933528/)

Reconstrucionismo Celta – https://reconcelta.wordpress.com/

Templo de Avalon – http://www.templodeavalon.com/

 

Conheça os grupos, clãs e ordens druídicas pelo Brasil

 

Leia o maior questionário traduzido sobre Reconstrucionismo Celta

CR-Faq Brasil – https://thecrfaq-br.livejournal.com/

 

 

Conheça o trabalho de Erynn Rowan Laurie

 https://www.wook.pt/autor/erynn-rowan-laurie/367048

 

 

Ouça a Banda que tocou no evento

https://www.facebook.com/bandatailten/

 

 

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