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Leitura de Velas: Mensagens forjadas no calor da chama

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A meu ver, a Leitura de velas é uma ferramenta que toda Bruxa ou Conjure deveria aprender como manejar. Há muitas mensagens que nos são enviadas no momento em que estamos executando um trabalho. Saber interpretá-las é uma boa forma para, caso seja necessário, conseguir contornar possíveis problemas que surjam no caminho.

É fato que esse texto não vai conseguir abraçar toooodo o conteúdo sobre leituras de velas. Há muito a ser considerado em uma leitura. E cada elemento precisa de uma introdução ao assunto antes de ser abordado em sua completude. Aqui neste texto eu fiz uma introdução sobre os elementos considerados na leitura de velas (cera e chama), levando em conta inúmeros fatores, como o modo, a posição, a limpeza…

Você pode fazer a leitura de uma vela em um feitiço; em uma justificativa que antecede um malefício; e até mesmo após uma oferenda a alguma Deidade. Dessa forma, você tem a opção de identificar as forças que estão atuando sobre seu trabalho e ter um breve vislumbre do que aguardar como resultado deste.

 

Oferendas, Justificativa e Feitiços

Nas oferendas, especificamente, o que eu percebo é que a leitura da vela se dá de uma forma peculiar. Ali, não bastam apenas algumas técnicas interpretativas associadas ao posicionamento da cera, pavio e chama. Você deve levar em conta também a natureza da oferenda feita e, claro, os elementos associados a Deidade com a qual se está trabalhando.

Vou exemplificar. Considere uma Deusa primaveril, cujo símbolo é um pássaro, para qual você esteja fazendo uma oferenda de abertura de caminhos. É natural que elementos associados à primavera, como flores, borboletas; e elementos associados à essa Deusa, como formatos de aves, apareçam. Dentro do contexto em que esse tipo de oferenda foi feita, e levando em consideração às características dessa Deidade, podemos afirmar que a oferenda foi bem vinda e que o resultado será próspero.

Porém, se levarmos em consideração outro contexto, alguns desses elementos, que no exemplo acima se apresentam como positivos, podem indicar algo não tão receptivo assim. Entende?

 

Quando se tratam de oferendas a leitura vai depender do “pra quem?” e do “pra quê?”.

 

No entanto, alguns elementos associados à leitura de velas tende a ser de igual significado para diferentes contextos e tipos de trabalho. Um queima de vela “limpa” (sem gotas de cera que descem pelas laterais do corpo da vela) e sem “resíduos” (sem sobra de cera ao final do trabalho) são indicativos de um bom resultado em relação ao trabalho que está sendo feito. Independente de ser um trabalho de bruxaria, uma oferenda religiosa ou uma justificativa de malefício que será feito dentro das técnicas do Hoodoo.

Pra quem não sabe o que é uma justificativa, aí vai uma brevíssima explicação. Algumas pessoas no Hoodoo, antes de lançarem um malefício sobre alguém, estruturam um pré-trabalho fazendo advocação de seus motivos. Isto é, a pessoa literalmente justifica – dentro de suas crenças pessoais – a escolha dela por uma ação danosa a outra pessoa. Contudo, confesso, eu não uso tal método. Eu desenvolvi um método próprio que me dá certeza se está, ou não, rolando um apoio do “Outro lado” para os cheque-mates que escolho dar do lado de cá. Mas isso é escolha pessoal.

Por hora, foco na leitura de velas em feitiços. E, para tal, vou começar traçando algumas regras de interpretação importantes:

 

Considerações a serem feitas no momento da Leitura de Velas

Não leia apenas para saber a mensagem. Havendo possibilidade de reverter danos, aja enquanto a vela queima! Isso implica em consagração de objetos para remover os obstáculos que surgem. Claro que a remoção de bloqueios na vida de uma pessoa não é feita somente com uma tesoura consagrada e vestida com óleo de limpeza. Mas, pequenas ações – como essa que acabei de mencionar – servem para permitir que o fluxo do trabalho não seja interrompido. E isso inclusive pela nossa própria preocupação.

Considere que, eventualmente, alguns fatores podem ocorrer por má qualidade do material utilizado na confecção das velas. Um pavio muito longo pode gerar “bolotas”. Uma vela mal montada pode queimar somente o meio e deixar as bordas intactas. Algumas marcas de velas não queimam limpas nem com reza braba! Mas, não se engane, lembre-se de que a leitura é divinatória, e não pra saber se o fabricante de velas é bom. Então, se um mesmo padrão se repete em velas de fabricantes diferentes, não há porque achar que o problema é da parafina.

E, por fim, lembre-se que, assim como outros métodos de divinação, interpretar a leitura de cera vai muito além do simples “olha e veja o que parece”. Se fosse somente isso eu não estaria aqui escrevendo esse texto, não é mesmo?! A leitura de velas, na verdade, trata-se de um processo em que 60% corresponde à transpiração e 40% corresponde à inspiração. Ou seja, é preciso saber o significado de alguns elementos e critérios de leitura. Pra, depois, deixar a intuição fluir.

 

Fazendo a Leitura de Velas

Resumi abaixo os critérios mais básicos para uma leitura de velas. Como falei, nessa maneira de ler você vai perceber que faço a interpretação tanto da cera, quanto da chama, do pavio, da fuligem, da fumaça…

Eu sugiro que você siga os 5 critérios abaixo. Eles te permitirão uma leitura mais fluida, gerando uma boa conclusão ao final. Então, siga os passos da CPMRF

  1. Chama
  2. Posição
  3. Modo
  4. Resíduo
  5. Formato

 

A Chama

Quando eu me refiro à Chama, inclua também o elemento que a sustenta, ou seja, o pavio. Nesse critério, você vai observar: altura da chama, a força com que ela ilumina, o calor que ela libera, se ela se apaga (ou não), se há fumaça ou estalos no decorrer da queima e se a chama oscila em si mesma.

Para fazer a análise de alguns desses critérios basta compreender que a chama reflete a energia que você empregou no trabalho. Ela é um excelente indicativo das emoções, sentimentos e, principalmente, da sua energia. Então, se ela está baixa, fraca ou com pouco calor, indica que você precisa renovar sua força de trabalho para fazê-lo com maior intensidade. A oscilação da chama, coloração da fumaça que sobe e os ruídos carecem de uma interpretação mais aprofundada. E serão tratados em uma próxima postagem sobre esse assunto.

Analise também como o pavio se comporta, se ele se divide em dois – formando uma chama secundária – se forma uma bola individual ou se bolotas agrupadas se formam na ponta dele. A divisão do pavio geralmente ocorre quando seu pedido não está bem focado em um objetivo. Mas outros fatores podem estar relacionados a esse fenômeno. Depende muito de como os demais elementos irão se revelar.

Sobre a formação de bolotas no pavio, eu já vi muita interpretação leviana. Já vi gente falando coisas do tipo: “É uma flor, e flores representam coisas boas”. Porém, quem está acostumado a fazer leituras de velas sabe que o lance aqui é beeeem diferente. Em quase totalidade das vezes, a bolota vai indicar um bloqueio, externo ou oriundo de crenças limitantes da pessoa que faz o trabalho. E de bom isso não te nada, não é mesmo?!

 

 

A Posição do prato

A leitura de velas é feita em uma posição. Que, diga-se de passagem, é a mesma que nos encontramos no momento em que acendemos a vela. Você não deve mexer no prato enquanto interpreta as mensagens. E, caso precise da ajuda de alguém na leitura, você deve fotografar a vela no ângulo exato de onde você a acendeu e fornecê-la à pessoa que te auxiliará na leitura.

O motivo de tamanho preciosismo é bem simples. Dividiremos as regiões do prato em tempos e planos energéticos. Se você muda o ângulo de visão de onde estava quando acendeu a vela, naturalmente você mudará a interpretação que deveria ser extraída do derretimento da cera na posição original.

Nesse critério, considere a posição na qual ficou disposta a cera da vela após o derretimento. Nesse sentido, ela será dividida em 3 tempos: Passado (à esquerda da vela e do prato), Presente (no centro da vela e do prato) e Futuro (à direita da vela e do prato); e em 2 planos de existência: Plano espiritual (tudo que corresponde à parte de trás da vela e do prato) e Plano físico (tudo que corresponde à parte da frente da vela e do prato).

Sendo assim, vou dar um exemplo. Imagine uma cera que escorrer ou um formato que gerado por ela na região lateral direita da vela. Esse formato ou cera irá determinar um evento relacionado ao futuro. Esse evento tanto pode indicar uma influencia relacionada ao trabalho, como uma resposta divina ao assunto relacionado ao que está sendo pedido no trabalho. E, se essa mesma cera se estender por um caminho ou formato voltado para a parte da frente do prato, indicará que esse evento será de caráter físico. Entende?

 

 

O Modo

Há inúmeras interpretações que podemos tirar de formatos específicos que se formam na cera durante e após o trabalho. São ganchos, rosas, montanhas, teias, escorpiões, rastros de lágrimas, espirais, gaiolas, entre outros muitos. Nesse critério, não estou me referindo a um simples formato que se forma em uma poça de cera que se forme ao final do trabalho. Diferentemente daquilo que a maioria das pessoas faz – que é olhar a sobra da cera e ver com o que ela se parece – a análise aqui é outra. Me refiro a alguns elementos que possuem, dentro da tradição das leituras, uma simbologia específica. Esses padrões devem ser relacionados à posição que se encontram. E, assim como em uma mandala (termo que uso vulgarmente falando), juntamos o significado da elemento à posição que ele se encontra.

Para exemplificar, considere uma vela como esta abaixo:

 

Nesta vela vemos o início de uma chama que tende a duplicação (conforme falei no 1º tópico). Isso pode indicar a falta de direcionamento ou foco no pedido. Vemos também como a cera escorre na lateral esquerda da vela (influencia de elementos do passado), com Posicionamento central (influência em partes de cunho espiritual e físico-mental).

Além disso, que é a parte que nos interessa nesse exemplo, vemos a formação de 2 elementos simbólicos. A saber: a Montanha (representada pela cera derretida em anexo à vela) e o Ganho (localizado na parte superior, próximo ao pavio). Esses elementos nos indicam, respectivamente e nessas circunstâncias, que há uma barreira (Montanha) que dificulta o acesso e prende ou puxa (Gancho) o autor do trabalho, dificultando a conquista de um bom resultado.

Notem que, devido à Posição da cera, essa barreira é de cunho espiritual-mental e está relacionada a elementos ou experiências vividas no passado da pessoa que fez o trabalho. Poderíamos relacionar esses elementos a uma necessidade de rever crenças limitantes para abrir as perspectivas positivas desse indivíduo. Ou, até mesmo, a uma necessidade de realização de um trabalho secundário de abertura de caminhos.

No Gancho formado vemos também o quanto esses elementos do passado estão enraizados dentro dessa pessoa. Tal interpretação vai estar relacionada ao quanto a curvatura do Gancho se volta para a chama da vela, que – como eu mencionei – representa a chama interior de cada um de nós.

 

 

O Resíduo

Nesse critério você deve observar o recipiente sobre o qual o trabalho com velas foi feito. Atente para a presença de fuligem no prato; se este permanece íntegro (sem quebrar ou rachar); e se, havendo quebra do recipiente, se haverá perda de cera para fora do mesmo. A forma de interpretação aqui vai circundar a ideia de “sujeira” e “ruptura”. Tanto a fuligem (marcas pretas deixadas pela chama) quanto a quebra do prato estarão relacionadas à ideia de força resistente ou opositiva ao trabalho.

Como eu falei, há muitas considerações a cerca de cada mensagem apresentada através da vela. Isso pede outros artigos sobre esse tema, que terei grande prazer em oferecer em postagens futuras. Por hora, saiba que quanto mais sujo ficar o prato, tanto de fuligem, quanto de perda de cera após a quebra, haverá maior dificuldade na conquista de sucesso com o mesmo ou maior resistência por parte da pessoa-alvo para quem o trabalho foi feito.

 

 

O Formato

A percepção eventual de formatos gerados pela cera, mas atenha-se aos formatos padrões. Entenda que antes de fluxo de cera parecer um “coração” sobre o prato ou “as asas de um anjo”, saiba que ele pode indicar, apenas, um retorno apenas um contra-fluxo da energia gerada no trabalho.

Vale dizer, também, que a análise do formato é algo que, em partes, é muito pessoal. Pra mim, o formato de um corvo em um trabalho vai significar algo muito diferente daquilo que seria pra outras pessoas. Tirando os símbolos mais óbvios que estão relacionados a significados já padronizados na nossa sociedade e cultura, como coração, anel, flor, etc. E, tirando as interpretações dos formatos relacionados ao Modo como a cera escorre (ver tópico 3). A análise de cada símbolo também vai contar com o universo cultural sobre o qual se debruça o sistema de crenças de quem acendeu a vela. Com essa última consideração, voltamos lá para o início do texto, onde eu mencionei o contexto, o motivo do trabalho e a Deidade relacionados ao mesmo.

Gostou? Aguarde, pois isso é só o começo! Ainda há muito conteúdo sobre leitura de velas pra falar.

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2 Comentários

  • Reply
    Camila
    4 de abril de 2018 at 13:46

    Muito bom o seu artigo, vou acrescentar mais uns pontos: a bola preta que pode formar no pavio também pode ter uma causa física: algumas marcas tem o pavio muito grande. Na dúvida eu acendo outra vela, de outra marca.

    Com relação a cera, mesma coisa, dependendo do material que é fabricada (ou até o corante usado) favorece a vela não derreter de maneira mais uniforme. Aí me vem a importância de se manter um registro (diário) ou qualquer coisa para poder fazer uma comparação.
    Abraços

    • Reply
      Jess
      4 de abril de 2018 at 16:19

      Que bom que gostou, Camila! Muito bem observado! O registro das experiências pessoais permitem esse comparativo. Além da pessoa tomar ciência dos produtos de melhor qualidade, ainda possibilita a confirmação futura dos elementos identificados na leitura de velas. Grande abraço e obrigada por compartilhar com a gente sua observação! ^^

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