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O ritual de Banho no Hoodoo

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O ritual de banho espiritual – ou aquilo que vulgarmente chamamos “banho de ervas”, é comum em muitas práticas de Magia. Eles são usados para banir energias negativas, remover maldições, atrair amor, prosperidade… E há, em certa parte, uma concordância entre diferentes práticas de Magia quanto a forma de aplicar os banhos. Porém, quando se trata de Hoodoo, o Banho espiritual assume um modo de fazer que é bem distinto das práticas mais populares aqui no Brasil.

A começar pelo fato de que, no Hoodoo, os banhos de elementos minerais são tão pulares quanto aqueles preparados com ervas. Segundo, há uma preocupação com o descarte residual do material do banho.  Na verdade, você verá abaixo que o processo de descartar a água do teu banho, segundo o Hoodoo, não é um ato de “se livrar dos restos”. Trata-se de um ato ritual. E, para dizermos que respeitamos aquilo que é o Hoodoo, devemos respeitar aquilo que esteve – e está – dentro de suas práticas mais populares. Afinal, a prática do banho é uma das mais importantes que o praticante deve aprender. Isso porque saber se limpar espiritualmente é a base para que antecede a muitos trabalhos de feitiçaria no Hoodoo.

Quando eu digo “ritual” não me refiro a uma prática religiosa, posto que o Hoodoo não é uma religião (mas um sistema de prática de Magia). Me refiro aqui a um conjunto de procedimentos que convém serem seguidos para um melhor resultado final. Um conjunto de “modos de fazer” que retomam a tradição, a origem do Hoodoo. E, para fazê-lo corretamente, faz-se necessário entender o pensamento por trás da coisa. É preciso olhar pra trás e ver como essa prática era realizada e como ela se popularizou nos EUA.

 

Um pouco da História do ritual de banho no Hoodoo

Antigamente, quando alguém tinha doenças tidos como “espirituais”, as pessoas chamavam alguém que entendesse de ervas, de curas, de rezas para poder auxilia-las. Essa figura que era chamada era tida como “root doctor”. Ou seja, uma pessoa que, através de seus saberes espirituais, seria responsável por avaliar os problemas relatados por seus clientes. E, a partir de uma visão da situação espiritual, física e energética do mesmo, indicar os elementos necessário para cura.

Essa pessoa era aquela que ia preparar o banho. E também aquela que iria proceder com o ritual do banho. Ou, em alguns casos, ela seria a responsável por orientar e/ou guiar o cliente nesse processo.

Descoberta a origem do mal, prescritas as ervas, o root doctor seguia ao preparo do banho. Conjuraria tais elementos e faria a infusão dos mesmos.

Ele aplicaria o banho na pessoa, fazendo os movimentos necessários, rogando ao Deus de sua própria fé. E, ao terminar o procedimento, seria o responsável pelo descarte residual do banho.

 

Receber a visita de um root doctor era como ser visitado

por um curandeiro ou uma rezadeira

– comparando aos dias de hoje –

 

E, seguindo um tratamento mais completo, o root doctor poderia voltar à casa de seu cliente nos demais dias. A fim de garantir a continuidade do tratamento espiritual que se iniciou através daquele ritual de banho.

Esse ritual de banho era feito em uma banheira, no período da aurora (nascer do dia). Naquela época, as pessoas não possuíam água encanada. Então, para tomar banho, usavam uma banheira móvel, uma que pudesse ser movida após o banho para jogar fora a água suja do banho. Com os banhos espirituais não era diferente. Após o término do banho, o conteúdo da banheira era vertido sobre o chão de terra batida do quintal da casa. Porém, com um detalhe. Havia a preocupação de conduzir a água do banho sobre o solo no sentido da intenção do praticante. Fazendo, assim, uma associação simbólica. Eles lançavam a água sobre o solo em direção ao Sol nascente para banhos de atração, e em direção ao Sol poente para banhos de limpeza.

 

O ritual de banho no Hoodoo hoje

Mas é claro que hoje raras são as casas nos EUA que contam com uma banheira portátil e um quintal de terra batida para finalizar um banho de ervas. Mas a prática evoluiu, se adaptou, e o Hoodoo demonstrou, mais uma vez, seu caráter improvisatório frente à necessidade.

Com o passar do anos, outros elementos foram sendo incorporados a essa prática. Como o acender de 2 velas para finalizar o ritual  e a associação com regências planetárias e outras correspondências simbólicas. No entanto, mesmo nessas pequenas alterações, vemos a introdução de elementos que dialogam com outras práticas de magia. É claro que devemos lembrar que o Hoodoo não é uma tradição morta, estática, inalterável. Ele também está em processo de evolução.

 

Contudo, eu penso que uma alteração deve sempre vir para agregar valor simbólico,

e não para remover valores simbólicos já existentes.

 

Por isso, meus caros, eu sempre digo. Não jogue as ervas residuais do banho no lixo!!! Elas te auxiliaram num trabalho espiritual, foram conjuradas, logo, por respeito, devem ser despachadas com o mesmo zelo que tivemos ao conjura-las. Além disso, faça o banho cumprindo o descarte ritual da água residual do banho. Como eu mencionei, esse descarte ritual faz parte do banho. E ele não está na origem da prática por acaso! A diferença entre “deixar a água correr pelo ralo” e “fazer o descarte ritual da água residual” é notável, e o resultado também!

Imagino que agora você deve estar pensando:“Mas, Jess, é inviável usar uma banheira portátil nos dias de hoje!”

Sim! Eu sei. Mas lembra que eu falei sobre o Hoodoo evoluir com o acréscimo de valores simboles e não com a retirada destes? Vou te mostrar agora como os praticantes fazer hoje em dia, nos EUA.

Lá, a banheira portátil deu lugar ao box de casa. E o descarte da água residual passou – por associação a outras práticas dentro do Hoodoo – a ser feito em encruzilhadas. A prática de verter a água residual sobre o quintal ainda resiste para sortudos (como eu) que moram em casa. Porém, tento em vista todos os elementos que compõem essa prática, eu faço assim: “para atrair, no quintal; para limpar, na encruza”

O método de banho que eu faço – que é também o que eu ensino e o que eu recomendo – é inspirado no método ensinado pela escritora Catherine Yronwode, um dos grandes nomes do Hoodoo atual. Quer aprender? Segue o passo a passo:

 

Passo a passo para o Banho Hoodoo

O modelo de ritual de banho abaixo pode ser feito sempre que seu banho for com o intuito de limpar energias negativas, de remoção. Há, porém, algumas modificações importantes que devem ser feitas caso o banho seja para outros fins. Isso será assunto de outra postagem.

Aqueça 1 litro de água e, quando estiver prestes a ferver, desligue o fogo. Coloque as ervas já conjuradas ou o seu composto de Ervas para Banho da O Sortilégio Store. Quando estiver frio estará pronto. Dilua esse líquido em 1 balde com água. Pegue 2 bacias ou potes que você não vá mais usar e leve para o banheiro.

Coloque seu intento e vista 2 velas brancas com o óleo Bênção Divina, da base para o pavio. A sugestão desse óleo é para um banho de limpeza. Você pode optar por óleos de amor ou prosperidade, a depender do banho que você vai tomar. Coloque essas 2 velas brancas na porta do box de forma que você consiga passar entre elas. Essas velas simbolizam uma bênção final do seu Deus, aquele com quem você vai se conectar no momento do banho.

Tome um banho comum como de costume, lavando a cabeça e tudo. Após esse banho, desligue o chuveiro e coloque um pote vazio perto de seus pés. Esse pote serve para recolher a água que cairá do seu banho. Você precisará dela depois. Lembra que eu falei de descarte ritual dos resíduos? Então, esse pode é pra isso mesmo!

Use o outro pote para ir pegando pequenas porções de água do balde para jogar sobre seu corpo. Enquanto faz uma oração para seu Deus (ou Deuses), pedindo que as energias negativas, o Mal e as feitiçarias que foram enviadas para você sejam removidas de vez, vá jogando a água do banho ritual em seu corpo. A começar pela cabeça, em movimentos de cima para baixo.

 

Vá passando o líquido pelos seus braços, frente e costas, removendo as tais energias. Sempre fazendo sua oração e com pensamentos de remoção dessas energias ruins.

 

 

Cruze suas mãos e braços na altura do seu ombro. Mão esquerda no ombro direito, e mão direita no ombro esquerdo. E faça um movimento de soltura, levando suas mãos até a posição normal. Nesse momento, mentalize a remoção completa das energias que estavam cruzando seus caminhos e sua vida. E vá repetindo sua reza ou palavras ditas de seu coração, pedindo a seu Deus ou protetor que REMOVA o mal que atrapalha sua vida.

Ao terminar esse rito saia do box e passe entre as duas velas brancas que você acendeu antes do banho. Nesse momento pare, feche seu olhos e sinta a energia da luz das velas abençoando seus caminhos. Não se seque. Deixe secar ao ar, deixe as ervas ficarem um pouco em contato com seu corpo.

 

Você pode usar umas gotas do óleo Bênção Divina para ungir seu corpo. Comece pelos pés, passe pelos joelhos, plexo solar e no meio da sobrancelha em direção alto da testa. Finalize no alto da cabeça. Vista sua roupa.

Pegue a bacia com agua “suja” desse ritual de banho (aquela que ficou perto dos seus pés e que agora contém a água que caiu de seu corpo). Vá para fora da sua casa, numa encruzilhada, preferencialmente onde você não passará nos próximos dias. Olhe em direção ao Sol nascente. Caminhe e, quando estiver bem no meio dela, jogue a água em direção ao oeste (onde o Sol se põe), sobre seu ombro esquerdo ou lateral esquerda do seu corpo (sem deixar tocar seu corpo, claro!). E diga palavras de encerramento de seus males ali. Pense em algo como:

 

“Eu deixo aqui as mazelas que atrapalham a minha vida,

que elas se ponham e se encerrem,

assim como esse Sol irá se pôr ao final do dia de hoje.

Que assim seja!”

Vá embora e não olhe para trás.

 

Como você pode ver, o banho espiritual no Hoodoo cumpre um ritual de banho. Uma série de elementos que, ainda que adaptados aos dias atuais, respeitam as bases sobre as quais o Hoodoo se sustenta.

 

Sendo assim, tomar um Banho ritual vai muito além de simplesmente lançar água de ervas sobre seu corpo. Há de se respeitar  a tradição a qual essa prática remonta. Jogar as ervas que você conjurou e que te serviram no ralo ou no lixo configuram grande desrespeito não só à tradição do Hoodoo, mas também aos próprios elementos em si. Afinal, todas as vezes que você conjura um mineral ou um vegetal, você se relaciona com a crença de que tais elementos possuem “anima” (em Latim: alma, vida). Então, honre essa “vida” até os segundos finais de seu trabalho.

E, se você gostaria de aprender mais sobre Hoodoo, bem como todos os detalhes que envolvem os rituais de banho, o passo a passo, as ervas, os minerais, as palavras, os movimentos e gestos simbólicos, entre em contato através no endereço: contato@osortilegio.com

E venha fazer o curso de Hoodoo comigo.

Grande abraço!

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8 Comentários

  • Reply
    Luh
    27 de junho de 2018 at 14:21

    Muito importante esse conhecimento passado Jess, eu não tinha essa concepção e jogava no lixo. Vou mudar minhas pratias mágicas de banho. Gratidão.

    • Reply
      Jess
      27 de junho de 2018 at 14:56

      Oi, Luh!
      Que bom que gostou! Faça sim! Aproveite e inclua o descarte ritual da água em sua prática também! Você verá que os resultados serão perceptíveis com maior rapidez e intensidade, principalmente quando se tratar de trabalhos contínuos de banho, como o de 7 dias ou de 13 dias… Dá certo trabalho de fazer. Mas você não vai querer outra coisa depois 😉

  • Reply
    Bell M
    29 de junho de 2018 at 01:53

    Que interessante!!! Eu sempre ascendo apenas 1 vela da cor do intento durante a preparação do banho até o término. Mas farei agora com as 2 velas no box. As velas devem ficar num lugar alto? Como é box, tenho uma bacia maior para que ao ficar em pé dentro dela, ali fique recolhido a agua. Porem utilizo o modo de recolher as ervas e devolver a terra e jogar para onde o sol se põe no caso de limpar e jogar para onde o sol nasce no caso de atrair, pois a encruzilhada mais proxima fica um pouco distante. Posso continuar fazendo desta forma? <3

    • Reply
      Jess
      30 de junho de 2018 at 13:27

      Oi, Bell! Não, elas são acesas no chão mesmo. Quanto às ervas, tradicionalmente, no Hoodoo, nós colocamos no jardim as coisas que desejamos que “floresçam” em nossas vidas. Essa seria uma boa opção se teu banho Hoodoo fosse de Amor, Prosperidade, etc. No entanto, eu tenho um profundo respeito pelas ervas que trabalho. Quando elas sobram no fundo do balde, ou caem no chão, eu as recolho ao final do banho, e deposito num jardim fora de minha casa. Faço isso mesmo quando o trabalho é de limpeza. Somente o que ficar no pote do chão é que eu levo pra encruza. Isso porque (e aí é uma visão pessoal minha) eu fui criada dentro da tradição religiosa da minha família. Aprendi quando criança, com minha mãe e avó, que devemos colocar as ervas no jardim, por respeito a elas. Então, quando vou me banhar, eu respeito a tradição do Hoodoo, mas agrego ao meu trabalho hoodoo a prática de meus ancestrais.
      E, deixa eu te falar uma coisa, a caminhada até a encruza é, a meu ver, um momento de esforço físico sim. Mas não é só isso. Às vezes vou longe para fazer o descarte ritual, porque não gosto de colocar em encruzilhadas por onde terei de passar nos dias seguintes ao banho. Então eu ando bastante. Às vezes, eu fecho o pote com tampa e vou de carro até um local onde possa fazer isso com tranquilidade. Quando volto, e a vela do banheiro já acabou, sinto minha energia sendo revitalizada. Consigo sentir que aquilo que estava me atrapalhando não está mais lá, se foi, de fato. Então, te digo de coração, vale o esforço.

  • Reply
    Bell M
    29 de junho de 2018 at 01:56

    Ah outra dúvida. E no caso de se tomar o banho em banheira…como proceder?

    • Reply
      Jess
      30 de junho de 2018 at 13:58

      No caso de fazer o banho na banheira, você coloca suas velas (caso opte por usá-las) dispostas da seguinte forma: uma no pé da banheira e outra na cabeceira da banheira, daí fica ficará de lado na banheira, de modo que, ao sair dela, as velas simbolicamente estejam iluminando as laterais de seu corpo. Eu digo “caso você opte por usa-las” porque, como eu mencionei na postagem, o uso das velas foi acrescentado à prática do Banho posteriormente. Na origem, as pessoas não sentiam necessidade de fazê-lo. Para esse banho de limpeza, você ficará de pé na banheira durante o processo, e deverá proceder exatamente conforme ensinado para o banho no box. A única diferença é que você não precisará de um pote a seus pés. Basta tampar a banheira e coletar um pouco da água após o término do banho, para, assim, fazer o descarte ritual. A menos que você tenha em casa uma banheira portátil como essas usadas antigamente, o que, creio eu, é algo raro para os dias de hoje.

  • Reply
    Re
    19 de agosto de 2018 at 18:39

    Olá. Onde descarta a água e as ervas de banho para amor e prosperidade? Obrigada.

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