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Paganismo em família: Crianças no Ritos

Paganismo em família Vida pagã Crianças no paganismo

Seja por um substrato cristão perdido no inconsciente de alguns pais pagãos ou pela pura falta de tempo com a vida “adulta”, alguns pais acabam se privando, e privando seus filhos, da vivência do Paganismo em família.

Talvez por ainda guardarem no inconsciente um resquício do cristianismo, algumas pessoas não acham adequado que crianças participem dos ritos pagãos. Há uma preocupação com as energias que serão trabalhadas nos ritos. Ora, eu sei que alguns ritos têm uma energia mais complicada, mais pesada. Mas sei também que há ritos com uma energia ótima, de união com a família, de cura, de bênçãos. Nesses casos, não vejo motivos para que as crianças sejam privadas de participação dos ritos.

Por vezes eu vi amigos pagãos se afastando de suas práticas por conta da maternidade. Sei que não só a maternidade, mas a própria vida nos toma muito do tempo. Tempo que gostaríamos de ter livre inclusive para a prática da nossa fé. Mas, assim como a maternidade e todos os outros compromissos que temos, a fé faz parte da vida, não é mesmo? Então, você pode não dispor mais de tempo para preparar um rito todo elaborado, mas acredito que alguns minutinhos para uma reza com seus filhos não vão faltar.

Um outro fato que eu percebo que permeia a mente de alguns pais e mães pagãos é a questão da liberdade religiosa da criança.

Sobre isso eu busco refletir sobre o seguinte… Você pode até querer que seu filho descubra, somente quando crescer, qual a religiosidade ele vai querer seguir. Você até querer que ele tenha liberdade de escolher se quer ter uma religiosidade ou não. No entanto, nossa sociedade está cheia das mais diversas expressões de religiosidade. Algumas, a meu ver, bem castradoras e limitantes no que diz respeito à felicidade.

 

Se você não expuser a sua forma de ver o sagrado para seu filho,

alguém o fará no seu lugar.

 

A questão não está em você ter o direito, ou não, de escolher a religião do seu filho. A liberdade de escolha está e, independente do que você você faça, sempre estará no coração de cada um. A questão reside no fato de que não importa qual religiosidade seu filho irá escolher, a forma como nos relacionamos com sagrado é que pode ser ensinada. Assim como muitas outras “crenças” (visão de mundo), umas boas e outras bem ruins, que absorvemos quando ainda somos crianças.

O que a fé te traz? Como você se relaciona com o sagrado? A resposta para essas perguntas está no seu consciente, mas também no seu inconsciente. E essas são exatamente as informações que nossos filhos recebem (também inconscientemente) de nós.

Pensando nisso, resolvi propor o seguinte: Que tal você trazer seus filhos para um rito? E mais: que tal você fazer um rito voltado para as crianças, focando no aspecto de cura da Deusa Brighid, agora no Imbolc??? Um rito para limpar o que as vovós chamariam de “quebranto” das crianças. Como? Veja ao final dessa postagem o link para o artigo. Abaixo trago umas questões para você, pai/mãe, ir se preparando psicologicamente, ok?!

 

Se você não tem o hábito de praticar o Paganismo em família, aí vão algumas dicas:

Primeiro você precisa ter em mente que crianças não são bonecos. Se seu filhote é meio pimentinha (como o meu primogênito era quando pequeno), é bom que você entenda que a energia do rito vai fluir com essa vibração “apimentada” da criança. Logo, se você ficar se importando se ele vai se mexer, se jogar no chão, chorar, mexer em tudo e falar, você só vai se estressar.

Para tentar fazer essa participação da criança mais agradável a todos tente dar funções a ela. Dependendo da idade, peça que seja “a pessoa que vai cuidar das ervas das fadinhas”. Aqui em casa eu gosto de trabalhar essa ideia dos Seres feéricos com minha caçula. Eu busco Seres feéricos mais sociáveis e receptivos às crianças e faço esse link entre eles.

Minha mãe fazia isso comigo também. Embora ela não seja pagã, ela sempre gostou de Seres feéricos (mesmo sem saber que eles têm essa denominação! rs). Passei parte da minha infância como responsável pelas oferendas a esses seres em nossa casa… Eu era a responsável por manter a água do copo limpa e trocar a maçã quando esta já havia “cumprido seu papel” como oferenda.

 

Ritos de passagem também são legais para vivenciar o Paganismo em família:

É bacana entender que crianças tendem a aprender coisas que fazem com frequência. Eles aprendem espelhando comportamentos, e não necessariamente com palavras. Então, quanto mais vezes você as levar para um rito, mais elas irão entender o que é isso e como as pessoas se comportam nessa situação.

Meus filhos receberam uma “bênção de bebê” quando nasceram. Uma forma de rito de passagem que marca as fases da vida. Depois, quando meu filho teve seu “rito de guerreiro”, minha filha (que ainda era bem pequena na época) manifestou interesse em ter um rito de adolescência pra ela também, quando chegasse “a hora dela”. Até os primos deles, que não são pagãos mas participaram do “rito de guerreiro” do meu filho, manifestaram interesse em ter um “rito de guerreiro” pra eles também. Eles diziam: – Mãe, pede pra tia Jess fazer um rito pra mim também!

 

A dica mestre do “bom senso”

Por fim, é preciso ter certo bom senso na hora de planejar um rito com crianças. Não adianta querer montar um rito com Meditação guiada quando seu filhote vai estar (muito provavelmente) empolgado com toda aquela novidade. Tente ritos com música que vocês possam cantar, instrumentos que os pequenos possam tocar (tambores, maracás, etc) e leitura de Lendas. Um bom contador de histórias sabe como encurtá-la e torná-la mais emocionante e atraente para a atenção de seu público infantil.

Meus alunos adoravam rodas de leitura (dentro matéria de Literatura, claro)… E olha que estou falando de alunos de 6º ano e de 7º ano de escolas públicas próximo à comunidades bem violentas. Eles tinham entre 10 e 14 anos. Eu tive até uma turma de 6º ano que adorava participar das práticas de relaxamento que eu fazia quando percebia que eles estavam muito agitados. Começávamos imitando bichos e depois seguíamos imaginando paisagens relaxantes. A sala de aula ia do caos à paz! Depois disso ficava mais fácil lecionar Literatura.

Sendo assim, procure as Lendas que estejam relacionadas à energia que será trabalhada na respectiva celebração. Com base no seu estudo sobre os Deuses, crie “orações” pagãs em versinhos fáceis que você pode ensinar a seus filhos a recitar antes de dormir. Aproveite esse momento antes de dormir para curtir um momento com seu filho, estreitando os laços entre vocês.

 

E você? Você pratica o Paganismo em família?

Link para a postagem sobre sugestão de celebração de imbolc em família: clique aqui.

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6 Comentários

  • Reply
    https://busqueieencontrei.com
    29 de agosto de 2017 at 15:14

    Muito interessante mesmo! Continue com o bom trabalho!

    Adorei vou recomendar pra todos que conheço um artigo igual a esse vale ouro.

    🙂

    • Reply
      Jess
      30 de agosto de 2017 at 11:54

      Que bom que tem gostado do meu trabalho! Obrigada pelo incentivo! Grande abraço!!!

  • Reply
    Luciana Cavalcanti
    31 de agosto de 2017 at 17:21

    Estou pensando sobre esse tema já uns meses, pois tenho vivenciado essa necessidade com minha filha de 5 anos e a educado no paganismo por força da circunstâncias é ótimo encontrar texto em português de alguém que esta pensando com tanta sobriedade sobre o assunto. Parabéns

    • Reply
      Jess
      6 de setembro de 2017 at 08:58

      Oi, Luciana! Que bom te ver por aqui! ^^
      Eu acredito que essa sua necessidade passe pelo coração de muitos pais e mães pagãos, assim como foi, e é, comigo desde que tive meu primeiro filhote (que agora já está com 14 anos). Vivemos numa sociedade judaico-cristã e, se não pensarmos a educação de nossos filhos dentro do Paganismo, dentro de nossas crenças e valores, intengrados à Natureza, certamente a sociedade o fará de outra forma. Acredito que o debate sobre essa temática estará cada vez mais presente no Paganismo atual e, também, dentro do Druidismo. Muito obrigada pelo carinho!!! Um grande e apertado abraço!

  • Reply
    Jully
    31 de agosto de 2017 at 17:33

    Uau, Jess, amei! Confesso que eu nunca havia pensado à respeito disso, pois ainda não tenho filhos. mas olha, depois de ler seu texto fiquei inspirada a já me preparar, se um dia for mãe, para ter uma rotina assim em família!
    Parabéns, amei seu texto e seu blog!

    • Reply
      Jess
      6 de setembro de 2017 at 08:44

      Que bom que gostou, Jully! Uma das coisas que mais tento focar nas minhas práticas de magia é esse link entre a Magia e a vida cotidiana… nossa vida profissional, família, etc. Eu aredito que, quando esses “setores da vida” andam juntos, eles enriquecem uns aos outros, trazendo experiências que não seriam possíveis se esses “setores” estivessem sendo tratados de forma isolada. Assim, plantamos e colhemos frutos muito mais saborosos. Seja muito bem vinda ao blog, e, também, a esses e outros debates ^^

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